Cassio Jr.

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Artigos por Cassio Jr.

Parkour em Congresso Internacional da UNESP

Fala galeraa…. quanto tempo que não posto nada aqui ein?

Então, quase acabando 2010 e acredito que o parkour em Curitiba não tem o que reclamar. Muitos dos planos que surgiram de conversas com os membros do CTT no final de 2009 foram colocados em prática e obtiveram sucesso!

Parabéns a todos os praticantes que apoiaram e incentivaram as iniciativas do grupo e que continue sempre assim.

Vou tentar ir direto ao ponto. Lembram do projeto de parkour na escola que iniciou no Colégio Opet? Esse mesmo! No semestre passado apresentei em um trabalho bimestral da faculdade esse mesmo projeto. A professora gostou tanto da idéia que me aconcelhou a inscrever o trabalho em um Congresso que irá ocorrer agora em novembro em Rio Claro, SP.

Trata-se do “I Congresso Internacional de Formação Profissional e V Seminário de Estudos e Pesquisas em Formação Profissional no Campo da Educação Física” que será do dia 12 a 14 de novembro de 2010, na UNESP de Rio Claro.

Muito bem, inscrevi o trabalho e foi aprovado! O tema/título do trabalho é PARKOUR NA ESCOLA: ROMPENDO PADRÕES NA RELAÇÃO DO CORPO COM O AMBIENTE.

Espero que essa experiência seja mais do que uma oportunidade na minha formação profissional, espero que o parkour seja divulgado de forma correta e esteja aos ‘olhos da ciência’.

O projeto será exposto em forma de painel, e haverá um tempo determinado onde os participantes do congresso irão visitar a exposição.

Fico muito feliz de ter essa oportunidade e, com toda certeza, pretendo representar todos os praticantes de maneira correta.

Para mais informações sobre o congresso acesse o link abaixo:

http://www.rc.unesp.br/vsepef/

Segue um trechinho do resumo enviado à banca.

O objetivo deste projeto foi introduzir na escola uma nova possibilidade de desenvolvimento físico e mental, fugindo do padrão de aulas que utilizam sempre as mesmas práticas, introduzindo uma atividade completa que pode desenvolver tanto habilidades físicas quanto psicológicas.

Alguns detalhes interessantes:

  • Serão selecionados os 30 melhores trabalhos para publicação, tendo como referência (critérios de seleção) o resumo (proposta), o conteúdo veiculado no painel (clareza, objetividade, densidade) e a exposição do trabalho no grupo temático (das principais idéias, resultados, enfim, essência do trabalho).
  • Estes trabalhos poderão ser publicados no formado livro (um ou dois) ou na forma de artigo .
  • No formato artigo serão selecionados 12 textos para compor um dossiê para ser publicado na Revista Brasileira de Docência, Ensino e Pesquisa em Educação Física
  • Os resumos do evento serão publicados em edição especial, desde que apresentados no evento, como suplemento, na Revista MOTRIZ e/ou Revista EDUCAÇÃO: TEORIA E PRÁTICA, enquanto anais de evento.

Então acho que é isso…

Grande abraço traceurs curitibanos!

Bons treinos!

Parkour OPET – Encerramento do semestre

Fala galera do parkour!!

Algum tempo atrás nós postamos sobre o projeto de aulas periódicas de parkour em um colégio de Curitiba. O primeiro semestre passou voando! E o nível de desenvolvimento deles tem nos impressionado a cada dia. Tanto eu quanto o Lucas estamos adorando essa experiência fantástica.

Para finalizar essa primeira fase do nosso trabalho, fizemos um treino diferente. Nesse ultimo domingo (04/07/2010) os alunos tiveram sua primeira experiência (acompanhados por nós) fora do colégio onde ocorrem os treinos.

Alongamento em grupo antes do treino
Alongamento em grupo antes do treino

Treinamos na praça 29 de março, um dos picos de treino mais conhecidos em Curitiba, local que possibilita diversas adaptações de movimentos que os alunos muitas vezes não tem oportunidade de treinar no colégio.

Foi lindo ver a superação de todos eles! Infelizmente não foram todos que puderam comparecer, mas acreditamos que essa experiência pode trazer muita coisa de boa pra evolução de cada um na prática.

Acredito que esse treino foi um dos mais divertidos, esperamos ter essa oportunidade mais vezes.

Outro detalhe legal foi a participação dos pais. Todos foram convidados a assistir o treino e praticar junto com os filhos. Foi muito legal ver a disposição dos pais e mães aquecendo, alongando e tentando executar os movimentos.

Como já disse, essas aulas estão sendo uma experiência que não tem preço!

Subida de muro
Subida de muro
Gabi R., pagar barras sorrindo. haha
Gabi R., pagar barras sorrindo. haha

Em breve postaremos mais novidades dos treinos…. boas férias a todos!!!!

A favor do Parkour, contra competição! “Corra sem rivais”

Ao ver as manifestações dos praticantes de Parkour a respeito das competições que estão acontecendo nos últimos anos (Barclaycard Freerun Championship e o MTV Parkour Challenge) e o post do Eduardo Rocha (duddu) no blog Pulo do Gato resolvi trazer para vocês o manifesto escrito por Duncan Germain e Erwan Le Corre postado no blog  – Pro Parkour Against Competition.

Eu, particularmente, escolhi uma profissão na qual lidarei com vários esportes diariamente, e quase sempre, competições são a base da prática. Mesmo assim, acredito que o diferencial do Parkour é justamente esse, e farei o que for possível para preservar. Os iniciantes dos treinos que eu e o Lucas fazemos semanalmente estão sempre ouvindo e participando de conversas sobre o rumo que o Parkour está tomando. Manter o Parkour puro, livre de competições, como foi idealizado desde o princípio é dever nosso, e para isso precisamos de argumentos.

Leia abaixo o artigo e se quizer acesse a area de downloads do blog Pulo do Gato clicando aqui.

 

A FAVOR DO PARKOUR, CONTRA COMPETIÇÃO!
“Corra sem rivais”

Originalmente por: Duncan Germain e Erwan Le Corre
Tradução e adaptação: Eduardo Rocha (duddu)

Os membros desta comunidade são fortemente contrários a idéia de competições organizadas de Parkour.
Nossas razões:

1.
a. Não acreditamos em elites.
b.
Não acreditamos em nenhuma forma de distinção entre os praticantes.
c. Não acreditamos na necessidade de se criar qualquer forma de hierarquia de habilidades entre os praticantes.
d. Acreditamos que “o melhor” não significa nada dentro do Parkour, pois vencer ou perder também não tem a menor importância para a filosofia.
e. Não aceitamos tal princípio como parte da filosofia do Parkour.

Ao contrário: Acreditamos que o motivo por qual se treina deve somente, e sempre, ser um chamado interior. Esforçamos-nos para sermos fortes, por nós mesmos e pelos outros. Não queremos ir de contra outras pessoas, mas treinarmos com elas e por elas.

Portanto, rejeitamos e desencorajamos qualquer forma de rivalidade entre os praticantes. E fazemos o inverso: valorizamos a solidariedade e o respeito mútuo para obtermos sucesso tanto como indivíduos quanto como comunidade.

2. Acreditamos que vai de contra a filosofia do Parkour competir pela vitória ou pelo ganho de qualquer outra coisa que não faça parte dos valores da atividade. Como por exemplo: medalhas, prêmios, troféus, dinheiro, fama, reconhecimento ou glória. O mesmo se aplica aos que buscam exibicionismo para o público.

 Ao contrário: Procuramos não cobrar nada e beneficiar todas as pessoas com as nossas ações. Almejamos também benefícios que todos possam compartilhar. “Somos doadores, e não receptores.

3. A competição encoraja que a pessoa despreparada sacrifique sua saúde por uma breve vitória, ou para conquistar um título que não tem valor algum. Ela força que competidores de elite constantemente e repetidamente arrisquem o seu mais precioso bem, a saúde, em busca da obsessão e da obrigação de obter a vitória, ou qualquer outro benefício como: dinheiro, posição ou prestígio, aumento do ego, contratos profissionais e comerciais e acordos remunerativos. Isso leva o praticante a desregular o seu treino e focar-se somente em habilidades específicas que deve adquirir para vencer, conduzindo-o assim a lesões crônicas. Apesar das negações oficiais, o uso de doping está relacionado a todos os tipos de competições, seja com envolvimento de dinheiro ou não. Acreditamos que a conseqüência física de se participar de competições de alto nível é contra a filosofia do parkour, pois a ênfase da atividade reside na moderação e na necessidade de fortalecimento.

Ao contrário: O Parkour é uma atividade humilde, paciente e pra toda a vida. O corpo humano necessita desse condicionamento para assegurar sua resistência e longevidade. Moderação é um dos valores mais importantes no Parkour e é uma qualidade indispensável para a preservação de si mesmo e para o fortalecimento do corpo. Portanto, rejeitamos qualquer coisa que vá de contra essa moderação e provoque agressões ao corpo.

4. O Parkour não pertence às corporações, patrocinadores, mídia, e pessoas que ficam somente sentadas para assistir. Acreditamos que nós NÃO devemos apoiar atividades e projetos que utilizem o nome do Parkour e que venham a manchar seu nome e divulgar ao público e na mídia uma atividade que NÃO condiz com a disciplina; ignorando assim a resistência da maioria das comunidades contra tais intenções.

Ao contrário: Afirmamos que Parkour é uma disciplina não competitiva que pertence a todos os seus praticantes, as comunidades locais, aos grupos e amigos e a raça humana de uma forma geral. Acreditamos que devemos permanecer unidos e contra essas ambições que não refletem a filosofia original e que desrespeita tanto a ela quanto a todos da comunidade.

Competição não é inevitável – é apenas mais um obstáculo!
Apóie o Parkour original e mantenha a nossa disciplina livre!

Tradução do Banner:
“A Favor do Parkour, Contra Competição.
Mantenha o Parkour livre e verdadeiro.
Adicione isso a sua assinatura para mostrar o seu apoio”

De A à B da forma mais difícil possível

Alguns dias atrás eu estava me movimentando em casa, por falta do que fazer, tédio ou qualquer outra coisa. Aqueles momentos que todo praticante de parkour conhece bem. Essa idéia de pisar em um azulejo aqui e outro ali, pular ali e subir aqui, ir da cozinha à sala sem pisar em determinado lugar, etc. acabou gerando em minha mente essa frase que usei como título do post. Agora vou me explicar melhor.

Pare por um momento e pense num treino simples de parkour, aqueles sem lugares altos, buracos gigantes, prédios enormes e corrimões finos. Não é tão difícil imaginar isso, já que muitos dos treinos em várias cidades do Brasil acontecem sem essas ‘situações de alto risco’. Logo um degrau distante de um meio-fio, um corrimão de uma escada, um murinho pequeno e muitas vezes até uma linha diferente no chão já se torna um ‘obstáculo’.

O Parkour acaba se tornando uma alternativa diferente de movimentar-se em determinado ambiente. Muitas vezes o que aos olhos dos ‘leigos’ no assunto é insignificante, para um de nós, praticantes, trata-se de um local ideal para ‘perder’ (ganhar) horas de treino. Mas será que estamos realmente facilitando nosso percurso? Eu diria que não.

Nos nossos treinos, tentamos imaginar uma situação real, um possível momento, em um possível lugar, com um possível risco, um possível perigo e com esses possíveis treinamos horas, dias, meses e anos em um lugar. Justificando o titulo, o que fazemos na verdade é nada mais que dificultar o percurso.

É fácil subir pela escada, dar dois passos para chegar à um lugar ao invés de pular, mas nós não queremos o fácil, buscamos sempre o mais difícil. Quando um movimento é ‘conquistado’ pelo grupo de praticantes, alguém surge com uma nova idéia, fazer o movimento e um girinho, ou com um pé, ou uma mão, e a criatividade nunca acaba nessa arte de dificultar a movimentação.

Agora não pense que acho isso ruim, muito pelo contrário. É nesse ponto que queria chegar. O ser humano é um bicho muito complexo, precisa de dificuldades para evoluir, aprender e desenvolver qualquer atividade. Aquilo que é fácil e simples normalmente não trará nada de novo para você. O aprendizado vem da resolução de um problema.

Quando fazemos coisas que para muitos são inúteis ou idiotas, como por exemplo, pular de raiz em raiz de uma árvore sem pisar na grama, estamos criando um problema, “não pode pisar na grama” e buscando soluções “vamos pular de raiz em raiz”. E é isso que traz a evolução no Parkour. A dificuldade leva ao aprendizado e ao crescimento.

Talvez seja por isso que comparem parkour com brincadeira de criança. Crianças de 2 a 7/8 anos são as campeãs nos quesitos imaginação e criatividade. Segundo os autores desenvolvimentistas eles estão em uma fase chamada Fase de Movimentos Fundamentais, que irão desenvolver toda a base motora que será utilizada por toda a vida, seja numa corrida ou em qualquer esporte.

criança-parkour-natural

Esse período de nossas vidas trata-se de uma fase de grande evolução no que diz respeito à movimentação. As crianças usam sua imaginação fantástica para criar problemas, e as dificuldades impostas por elas mesmas, graças à criatividade sem fim, irão proporcionar seu desenvolvimento motor.

Mesmo que a possível situação para qual treinamos várias horas, dias e anos nunca chegue, o que temos que ter em mente é que não há momento de perigo que pague a evolução que o parkour traz nos nossos treinos. Voltamos a ser crianças, a usar a criatividade, a inventar, a dificultar e o mais importante, a evoluir.

Hoje vejo o parkour como ‘Ir de um ponto A à um ponto B da maneira mais difícil possível’ ou ‘Ir de um ponto A à um ponto B evoluindo o máximo possível’. Acredito que o girinho, a queda com 1 pé ou qualquer dificuldade ‘inútil’ acrescentada a um movimento simples vai fazer toda a diferença no nosso desenvolvimento como traceurs. É isso, espero que tenham me entendido. Ah… só pra lembrar, dificultem. (:

“É importante criar dificuldades para os que têm talento. As facilidades nos limitam.” (Bernardinho)