Artigos com o marcador desenvolvimento motor

Aulas de Parkour na PUCPR

Olá a todos,

como alguns já sabem nosso projeto na PUCPR passou para uma nova fase, em parceria com nossos amigos da Circocan conseguimos abrir espaço para aulas periódicas no espaço de ginástica da universidade.

As informações de horários podem ser conferidas aqui e aqui.

Como poderão perceber existem opções de aulas de Parkour durante a semana, que serão ministradas pelo GAP, com uma metodologia especifica de iniciação ao parkour e treinos para crianças e adolescentes.

E existe a aula do sábado a tarde, que é o tema deste post.

O foco desta aula será a retomada das origens do parkour.

O treino da movimentação será integrado ao treinamento funcional de habilidades fundamentais, propiciando um condicionamento fisico direcionado a melhoria de performance e principalmente da qualidade de vida do praticante.

Como relembrado por Williams Belle nesta entrevista recente, a idéia original do parkour era tornar os praticantes fortes e funcionais, assim, a nossa proposta tem base em uma gradativa evolução no condicionamento e melhoria de performance com o parkour, mantendo o foco no objetivo de cada aluno, através da adaptação de cada exercicio ao nivel de cada praticante.

O nivel de dificuldade das aulas será adequado ao nivel do praticante, alunos a partir de 12 anos terão exercicios similares aos dos alunos mais velhos, porem focados no desenvolvimento motor.

Agende sua aula experimental gratuita ou faça-nos uma visita no Ginásio de Ginástica Artistica da PUCPR a partir das 14 hrs dos sábados.

Para maiores informações ou agendar sua aula utilize o formulario de contato do site ou envie email para pucparkour@gmail.com

Bons treinos a todos!

Luiz Gustavo e Débora Manfron

De A à B da forma mais difícil possível

Alguns dias atrás eu estava me movimentando em casa, por falta do que fazer, tédio ou qualquer outra coisa. Aqueles momentos que todo praticante de parkour conhece bem. Essa idéia de pisar em um azulejo aqui e outro ali, pular ali e subir aqui, ir da cozinha à sala sem pisar em determinado lugar, etc. acabou gerando em minha mente essa frase que usei como título do post. Agora vou me explicar melhor.

Pare por um momento e pense num treino simples de parkour, aqueles sem lugares altos, buracos gigantes, prédios enormes e corrimões finos. Não é tão difícil imaginar isso, já que muitos dos treinos em várias cidades do Brasil acontecem sem essas ‘situações de alto risco’. Logo um degrau distante de um meio-fio, um corrimão de uma escada, um murinho pequeno e muitas vezes até uma linha diferente no chão já se torna um ‘obstáculo’.

O Parkour acaba se tornando uma alternativa diferente de movimentar-se em determinado ambiente. Muitas vezes o que aos olhos dos ‘leigos’ no assunto é insignificante, para um de nós, praticantes, trata-se de um local ideal para ‘perder’ (ganhar) horas de treino. Mas será que estamos realmente facilitando nosso percurso? Eu diria que não.

Nos nossos treinos, tentamos imaginar uma situação real, um possível momento, em um possível lugar, com um possível risco, um possível perigo e com esses possíveis treinamos horas, dias, meses e anos em um lugar. Justificando o titulo, o que fazemos na verdade é nada mais que dificultar o percurso.

É fácil subir pela escada, dar dois passos para chegar à um lugar ao invés de pular, mas nós não queremos o fácil, buscamos sempre o mais difícil. Quando um movimento é ‘conquistado’ pelo grupo de praticantes, alguém surge com uma nova idéia, fazer o movimento e um girinho, ou com um pé, ou uma mão, e a criatividade nunca acaba nessa arte de dificultar a movimentação.

Agora não pense que acho isso ruim, muito pelo contrário. É nesse ponto que queria chegar. O ser humano é um bicho muito complexo, precisa de dificuldades para evoluir, aprender e desenvolver qualquer atividade. Aquilo que é fácil e simples normalmente não trará nada de novo para você. O aprendizado vem da resolução de um problema.

Quando fazemos coisas que para muitos são inúteis ou idiotas, como por exemplo, pular de raiz em raiz de uma árvore sem pisar na grama, estamos criando um problema, “não pode pisar na grama” e buscando soluções “vamos pular de raiz em raiz”. E é isso que traz a evolução no Parkour. A dificuldade leva ao aprendizado e ao crescimento.

Talvez seja por isso que comparem parkour com brincadeira de criança. Crianças de 2 a 7/8 anos são as campeãs nos quesitos imaginação e criatividade. Segundo os autores desenvolvimentistas eles estão em uma fase chamada Fase de Movimentos Fundamentais, que irão desenvolver toda a base motora que será utilizada por toda a vida, seja numa corrida ou em qualquer esporte.

criança-parkour-natural

Esse período de nossas vidas trata-se de uma fase de grande evolução no que diz respeito à movimentação. As crianças usam sua imaginação fantástica para criar problemas, e as dificuldades impostas por elas mesmas, graças à criatividade sem fim, irão proporcionar seu desenvolvimento motor.

Mesmo que a possível situação para qual treinamos várias horas, dias e anos nunca chegue, o que temos que ter em mente é que não há momento de perigo que pague a evolução que o parkour traz nos nossos treinos. Voltamos a ser crianças, a usar a criatividade, a inventar, a dificultar e o mais importante, a evoluir.

Hoje vejo o parkour como ‘Ir de um ponto A à um ponto B da maneira mais difícil possível’ ou ‘Ir de um ponto A à um ponto B evoluindo o máximo possível’. Acredito que o girinho, a queda com 1 pé ou qualquer dificuldade ‘inútil’ acrescentada a um movimento simples vai fazer toda a diferença no nosso desenvolvimento como traceurs. É isso, espero que tenham me entendido. Ah… só pra lembrar, dificultem. (:

“É importante criar dificuldades para os que têm talento. As facilidades nos limitam.” (Bernardinho)